Em tarde perfeita, Corinthians volta à elite e cumpre missão de 2008

Alexandre Sinato e Guilherme Costa
Em São Paulo

Acabou a espera, o drama. Enfim, a redenção. A segunda maior torcida do
Brasil pode respirar aliviada e desentalar o grito da garganta: o
Corinthians está de volta à elite. Após dez meses sendo alvo de
chacotas e gozações, o time alvinegro recuperou sua vaga na Série A. Em
um Pacaembu tomado por mais de 35 mil pessoas eufóricas, venceu o Ceará
por 2 a 0 neste sábado e selou seu retorno com seis rodadas de
antecedência.

Exatos
328 dias depois de escrever o capítulo mais triste de sua história, o
Corinthians teve uma tarde perfeita. No Pacaembu, fez sua parte e bateu
o Ceará. Mas só o triunfo não bastava para assegurar a volta à Primeira
Divisão. O Barueri precisava tropeçar diante do Paraná. E tropeçou.
Perdeu por 2 a 1.

Com os dois resultados, os 70 pontos
atingidos pela equipe de Mano Menezes garantiram uma folga que não pode
mais ser tirada pelo quinto colocado. Vila Nova e Barueri se enfrentam
na 35ª rodada e por isso podem atingir no máximo 70 e 67 pontos,
respectivamente, caso empatem no duelo direto.

A
vantagem na tabela, então, deu ao corintiano o direito de comemorar no
Pacaembu como se fosse um título. Os gritos nas arquibancadas resumiram
o sentimento: "Ooooooo, o Coringão voltou…".

"Sofremos muito
no ano passado. Hoje saiu uma tonelada das minhas costas", desabafou
Felipe, um dos remanescentes de 2007, após o apito final. Emocionado, o
goleiro chorou ao fim da partida e festejou o acesso nos braços da
massa alvinegra, acompanhado de perto por Dentinho. "Ganhamos todos
estando na Série A: os profissionais que aqui estão, o Corinthians e a
Série A", completou Mano, em tom aliviado, mas sempre ponderado.

Mas
o sábado começou tenso para os corintianos. Como aconteceu no dia do
rebaixamento, a torcida alvinegra precisou ficar ligada em outra
partida. No fatídico jogo da queda, enquanto enfrentava o Grêmio, o
Corinthians prestava atenção no duelo entre Inter e Goiás, cujo
resultado interferia na definição dos rebaixados. O motivo desta tarde,
obviamente, foi mais nobre: era preciso secar o Barueri para festejar o
retorno à elite.

Por isso, assim como comemorou o gol de Douglas
aos 8min, a torcida corintiana vibrou cinco minutos mais tarde, quando
o sistema de som do Pacaembu anunciou o gol do Paraná sobre o Barueri.
Até o gol do Fluminense sobre o rival Palmeiras, em confronto válido
pela Série A, empolgou.

A euforia, é verdade, deu lugar ao
silêncio quando chegou a notícia ruim: o Barueri reagiu e empatou o
confronto com os paranistas. Os torcedores ficaram em silêncio. Os
jogadores do Corinthians também espiaram o placar eletrônico, que se
tornou um dos protagonistas da tarde.

Ele, inclusive, voltou a
ser "bondoso" com os alvinegros aos 36min: o anúncio do segundo gol do
Fluminense sobre o Palmeiras animou o estádio. Em campo, o Corinthians
tentava manter o sufoco no Ceará imposto desde o início da partida.
André Santos e Douglas quase ampliaram a vantagem. A torcida vibrou com
os dois lances, é verdade.

Mas vibrou mais quando a rede foi
balançada pela terceira vez no Maracanã. Fluminense 3 a 0. O problema
era quando o placar eletrônico e o sistema de som ficavam "quietos". No
intervalo, a trilha sonora escolhida para o acesso foi tocada: na voz
de Roberto Carlos, ecoou no Pacaembu o verso: "Eu voltei, agora pra
ficar…"

O segundo tempo começou com um susto. O Ceará estufou
a rede com pouco mais de um minuto. No entanto, o gol de Dezinho foi
anulado. Os corintianos respiraram aliviados e logo depois ganharam um
presente: Chicão aproveitou rebote de falta cobrada por Cristian e, aos
4min, aumentou a vantagem.

Com 2 a 0 no placar e os anfitriões
pressionando, a torcida ficou à espera de um gol do Paraná para
melhorar o cenário. E a equipe de Curitiba não decepcionou, fazendo 2 a
1 em cobrança de pênalti. O placar eletrônico do Pacaembu anunciou o
gol paranaense aos 27min. Era o que faltava. O grito de "Coringão
voltou" ficou mais freqüente.

E a explosão final veio aos
42min: o placar mostrou o fim do jogo do Barueri. Felipe, com a bola
rolando, se agachou emocionado e vibrou. Vibrou como todo o Pacaembu e
a nação alvinegra, que cantaram com Roberto Carlos "Eu voltei…". O
Corinthians voltou.

CORINTHIANS
Felipe; Alessandro
(Carlos Alberto), Chicão, William e André Santos; Cristian, Elias,
Douglas (Lulinha) e Morais (Wellington Saci); Dentinho e Herrera
Técnico: Mano Menezes

CEARÁ
Adilson;
Dedé, Fabrício, Dezinho e Jorge Guerra; Michel (Mancuso), Chicão,
Cleisson, Marcos Paraná (Ederson) e Cadu; Sérgio Alves (Charles Chad)
Técnico: Lula Pereira

Local: estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Árbitro: Maurício Aparecido de Siqueira (MT)
Auxiliares: Luiz Fernando Irineu da Silva e Fábio Rodrigo Rubinho (ambos do MT)
Público: 32.341 pagantes (35.426 no total)
Renda: R$ 660.445,00
Cartões amarelos: André Santos e William (Corinthians); Fabrício, Marcos Paraná, Michel (Ceará)
Gols: Douglas, aos 8min do primeiro tempo; Chicão, aos 4min do segundo tempo

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