O tesouro submers


O tesouro submers
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Está à vista um ciclo petrolífero novo: o petróleo do pré-sal, que
permanece intacto nas profundezas oceânicas, conquanto enseje, na
superfície, a agitação dos ânimos econômicos e políticos. Aqui e no
exterior começou a briga de foice, com os contendores se engalfinhando
na disputa prévia do melhor modelo para participar da prospecção,
exploração e futuros lucros do tesouro submerso.

A reserva, em área que se alonga do litoral de Santa Catarina ao
Espírito Santo, pode proporcionar um volume da ordem de 70 bilhões de
barris de óleo categoria leve. É muito coisa, se considerarmos que a
auto-suficiência de óleo, no país, passou a ser decantada em prosa e
verso, desde que a Petrobras começou a produzir 1,9 milhão de
barris/dia.

Subjacente à discussão técnica, que se encolhe, limitada ao um universo
de especialistas e estudiosos, o debate político e econômico ganha
corpo.

Mas o que mais amiúde transparece, nesse embate, é a possibilidade da
criação de outra estatal, não ao lado, mas, se possível, longe da
Petrobras, para tomar conta do tesouro submerso. Fala-se também de um
fundo, o pomposo Fundo Soberano, inspirado no modelo norueguês, que
está dando certo lá, com a transferência das riquezas geradas em favor
da sociedade local.

O que se pergunta é por que outra estatal e, também, por que um fundo
soberano, quanto se sabe, a tomar por base o exemplo da Petrobras, que
no geral o brasileiro é um expectador das riquezas do país onde vive.
Um mero e simplório expectador, uma vez que os lucros correm rápidos
para os bolsos dos acionistas, sobretudo os acionistas externos e
jamais, ou muito dificilmente, em favor do povo em geral, ou de uma
infra-estrutura que lhe permita participar das benesses deixadas pelo
petróleo.

E já se imaginou o que vai significar fundar e manter outra estatal?
Poderíamos até pensar nisso, de modo positivo, fosse outra a realidade
brasileira. Mas, com essa política de compadrio, aparelhamento da
máquina e abusos na nomeação para os chamados “cargos de confiança”, já
podemos ir desenhando as características do monstrengo. Pela briga que
apenas está começando, já temos uma mostra antecipada do que
representará uma nova estatal para os bolsos lesados dos contribuintes.

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